Tinha olho de águia abatida no interior de uma gaiola. Apatia mórbida que toma conta da vida quando a gente começa a respirar pela pele. Se tivesse que se concentrar em algo seria na sua total incapacidade de pular o buraco na rua. Mas ele é tão raso, e nem é fundo.. e porque pula-lo, se eu posso contunuar rasteijando? Perguntas assim soltas sempre lhe vinham à mente atravessando o semáforo, ou falando com o cliente, ou quando ia ao banheiro. Ah sim.. isso sempre acontecia quando ia ao banheiro. Deve ser coisa de mente viciada em entranhas.
Comia como quem devora a si mesmo, mas com prazer. Comer-se. Defecar a si mesmo. Uma pseudorepetição do ser .
Ah e tinha botas amarela que a levavam para todos os lugares. Mas quem usa botas amarelas? Perguntava o chefe. Mas ele nunca olhava para os pés dela. Então temia em acreditar que o boato era verdadeiro. E ela continuava a deixar pegadas encardidas.
Trabalhava em uma imobiliária especializada em pessoas com muito dinheiro. Quanto? Nâo sabia ao certo. Era pessoas que tinham muito mais dinheiro do que ela. E assim as classificava.
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