Contos velozes escritos enquanto se costura os pulsos.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Naquele dia os seus olhos demoravam exatamente 48 horas para uma simples piscada. Fechava os olhos e quando os abria o mundo já estava a 48 horas na frente. Mas para ela tinha sido somente um piscar de olhos. Desses inocentes que se dá a todos os segundos.
domingo, 14 de agosto de 2011
Eu não tenho medo de ser o que você não quer que eu seja. Eu tenho medo de ser o que você quer que eu seja.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Tinha olho de águia abatida no interior de uma gaiola. Apatia mórbida que toma conta da vida quando a gente começa a respirar pela pele. Se tivesse que se concentrar em algo seria na sua total incapacidade de pular o buraco na rua. Mas ele é tão raso, e nem é fundo.. e porque pula-lo, se eu posso contunuar rasteijando? Perguntas assim soltas sempre lhe vinham à mente atravessando o semáforo, ou falando com o cliente, ou quando ia ao banheiro. Ah sim.. isso sempre acontecia quando ia ao banheiro. Deve ser coisa de mente viciada em entranhas.
Comia como quem devora a si mesmo, mas com prazer. Comer-se. Defecar a si mesmo. Uma pseudorepetição do ser .
Ah e tinha botas amarela que a levavam para todos os lugares. Mas quem usa botas amarelas? Perguntava o chefe. Mas ele nunca olhava para os pés dela. Então temia em acreditar que o boato era verdadeiro. E ela continuava a deixar pegadas encardidas.
Trabalhava em uma imobiliária especializada em pessoas com muito dinheiro. Quanto? Nâo sabia ao certo. Era pessoas que tinham muito mais dinheiro do que ela. E assim as classificava.
Comia como quem devora a si mesmo, mas com prazer. Comer-se. Defecar a si mesmo. Uma pseudorepetição do ser .
Ah e tinha botas amarela que a levavam para todos os lugares. Mas quem usa botas amarelas? Perguntava o chefe. Mas ele nunca olhava para os pés dela. Então temia em acreditar que o boato era verdadeiro. E ela continuava a deixar pegadas encardidas.
Trabalhava em uma imobiliária especializada em pessoas com muito dinheiro. Quanto? Nâo sabia ao certo. Era pessoas que tinham muito mais dinheiro do que ela. E assim as classificava.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Trem de alta velocidade
Décimo cigarro. Quinta vodca. Segunda transa da semana. Terceiro vestido do mês. Manu, quando ao sair do bar, o Sol se misturou aos seus cabelos loiros, respirou.
Ode a cegueira por uma faxineira.
Célia passava todo os dias no Aterro. Célia olhava o mar todos os dias. Como uma continuacão de sua própria existência rotineira, o mar, estava ali. Sempre. Testemunha e coadjuvante de um capítulo que não termina. Companheiro da sua constância, da sua permanência.
Olhando de lá, o mar, da janela do ônibus, era prova que sua escolha era coerente. Firme. Presente.
Cinco filhos, nenhum marido, dois empregos, nenhum gozo, um corpo útil.
Era um dia normal, com coisas normais e pessoas normais. Mas, ao olhar o mar esse dia, sua visão ficou turva nítida. E tudo o que via era o que era, mas deixando de ser o que era. Sensacao estranha essa de enxergar o que está antes, ou o que está depois. Tal qual um cego que vê.
Culpa do mar. Brincalhão doentio que tem mania de atormentar os espíritos calmos.
Chegando em casa, o refogado tinha gosto de peixe, o cheiro de mofo parecia enxofre, a luz do Sol, que entrava raramente pela janela, parecia fogo e os filhos tinham formato de borboleta morta.
Tomou uma cerveja, duas.. tomou quantas cervejas fossem necessárias para adormecer.
Ao acordar, a supresa: A visão tinha se tornado turva. Somente turva. Nunca mais deixou de ter febre.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Menina que brinca com o Nada
Ela brincava com o nada. Esse nada que é um saber vago. Um abstrato que preenche tudo. E está em tudo. Entre os dedos. Entre as folhas. Entre o ser e o estar. Causador de pânico. E de paz. Depende da capacidade intrínseca de saber tocá-lo. Vê-lo.
Para ela as vezes representava a imensidão de um céu negro. Sem estrelas. As vezes um oceano azul claro. Com ondas calmas e com monstros imaginários.
Mas o achava fascinante e sempre queria encher sua mente com o Nada. Mas sempre tropeçava e colocava uma imagem, algo ..alguém..
E na sua busca louca encantou-se com devaneios, abstracoes, loucuras.. frutos de uma mente que traça desenhos concretos no ar.
De tanto querer o Nada acabou encontrando o tudo.
Para ela as vezes representava a imensidão de um céu negro. Sem estrelas. As vezes um oceano azul claro. Com ondas calmas e com monstros imaginários.
Mas o achava fascinante e sempre queria encher sua mente com o Nada. Mas sempre tropeçava e colocava uma imagem, algo ..alguém..
E na sua busca louca encantou-se com devaneios, abstracoes, loucuras.. frutos de uma mente que traça desenhos concretos no ar.
De tanto querer o Nada acabou encontrando o tudo.
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